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24 Setembro 2006 - por cantodapaz

Paz e Bem!
A célebre conferência do Papa Bento XVI na Universidade de Ratisbona continua a ser motivo

de reflexão e diálogo entre a RAZÃO e a FÉ. Era este um dos seus objectivos principais. E urgentes.
Nos nossos jornais têm aparecido textos de opinião, alguns COM OPINIÃO!
Envio um exemplo, abaixo. Com gratidão a Vasco Graça Moura (escritor português) pelo artigo

baixo.
O abraço amigo e um óptimo fim-de-semana,
frei Acílio

**************
frei Acílio Mendes é Provincial dos Franciscanos Capuchinhos de Lisboa
**************
O terrorismo do alvoroço hipócrita

autor: Vasco Graça Moura - vgm@mail.telepac.pt
Escritor
Quem se tenha dado ao trabalho de ler o texto da intervenção do Papa Bento XVI na Universidade de Ratisbona, sabe que as suas palavras, no tocante ao ponto que recentemente se tornou tão controverso, foram as seguintes: “(…) o imperador [Manuel II, abordando o tema da jihad], com uma rudeza bem surpreendente e que nos espanta, dirige-se ao seu interlocutor [persa] simplesmente com a questão central sobre a relação entre religião e violência em geral, dizendo: ‘Mostra-me, pois, o que Maomé trouxe de novo e somente encontrarás coisas más e desumanas, como o seu mandato de difundir pela espada a fé que ele pregava’. O imperador, depois de se ter pronunciado de maneira tão pouco amena (…).”

Das passagens que pus em itálico, vê-se que não houve, da parte do Papa, qualquer imprudência, leviandade, inconsideração ou intuito ofensivo fosse do que fosse ou fosse de quem fosse. O seu comentário incluía a crítica das próprias expressões utilizadas pelo Basileus. Estava a abordar as relações entre a fé e a razão e, na parte final da sua intervenção, disse também, e volto a pôr em itálico a parte que interessa, “para a filosofia e, de maneira diferente, para a teologia, a escuta das grandes experiências e convicções das tradições religiosas da humanidade, em particular a da fé cristã, constitui uma fonte de conhecimento”. O que mostra bem, e o contexto de toda a conferência reforça-o, que o pensamento pontifício vai além da expressão de um simples respeito de circunstância por outras religiões que não a sua.

Como se explica então o vendaval de indignação gerado no mundo muçulmano pelas palavras do Papa? Da parte dos radicais, explica-se por isso mesmo: é mais uma modalidade de manipulação terrorista, posta em prática para exacerbar os ânimos. Da parte do sector moderado, que também reagiu negativamente, só pode explicar-se, ou por desconhecimento daquilo que foi realmente dito por Bento XVI, ou por medo das consequências da posição dos fanáticos radicais. Lionel Jospin acaba de sintetizar modelarmente a questão, ao dizer “paradoxal que uma parte daqueles que exigem desculpas são os mesmos que, por outro lado, ameaçam e acham legítimo utilizar o Islão em nome da violência”.

No contexto actual, de fundamentalismos, fanatismos e terrorismos todos eles de sinal muito próximo da Al-Qaeda, o Papa fez muito bem em abordar a questão da violência nos termos em que a pôs. E foi, até, um eufemismo da sua parte recorrer a um remoto imperador de Bizâncio. Quanto à violência islâmica podia ter citado o Corão (transcrevo de um artigo de Antoine Sfeir, no Figaro de 19-9-2006): “Ó crentes, não tomeis por amigos os judeus e os cristãos. São amigos uns dos outros. Aquele que os tomar como amigos acabará por se lhes assemelhar e Deus não será o guia dos perversos” (V-56). Ou ainda: “Combatei-os até não terdes de recear a tentação e que todo o culto seja o do Deus único. Se eles puserem termo às suas acções, não haja mais hostilidades. As hostilidades somente serão dirigidas contra os ímpios” (II, 19).

O Papa podia também ter invocado a História. Decorreram apenas 79 anos entre a morte de Maomé e a chegada dos Árabes à Península Ibérica (711), após terem tomado conta de praticamente todo o Médio Oriente e toda a bacia do Mediterrâneo, mas decorreu mais de um milénio entre a morte de Cristo e a Primeira Cruzada (1096-1099), o que indicia imediatamente a resposta à questão de saber qual das duas religiões, na origem, tinha vocação mais expansionista e guerreira.

E o Papa podia ainda sem dúvida ter referido expressamente todas as barbaridades que, nos últimos anos, andam a ser ditas e praticadas pelo terrorismo de sinal islâmico, em nome de Alá, por esse mundo fora.

Não fez nada disso. Abordou a questão em termos extremamente sérios e sóbrios, perante um auditório universitário.
Imagine-se agora que, por uma razão de simetria, um mufti qualquer, numa universidade muçulmana qualquer, se punha a censurar violentamente as Cruzadas, ou a falar dos crimes da Inquisição imputando-os à Igreja Católica, dizendo as últimas do sinistro tribunal e da religião que o suportava, e que os católicos, por causa disso, desatavam a apedrejar as mesquitas, a ameaçar de morte os muçulmanos e a exigir a apresentação imediata de desculpas…

O terrorismo islâmico engendra cada dia novas formas de manipulação das massas. Primeiro, foram as caricaturas. Agora, é este novo alvoroço hipócrita.In Diário de Notícias, 20/09/06

 

 

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4 Opiniões

  1. Custódia Santos on Setembro 18, 200816:25
    Gostei muito do artigo e de todos os artigos que dêm a conhecer a verdade. Será que a maioria das pessoas, procuram descobrir a razão dos acontecimentos? Sem fé, acho que será medonho, ver o que se vai passando no nosso mundo; mas com a força da fé, acreditamos que é o único a conduzir a história da humanidade, mesmo quando tudo parece ir de mal a pior. Aumenta Senhor a nossa fé.
  2. Luiz Claudio on Janeiro 15, 200912:45
    Infelizmente distorceram as palavras do Papa querendo com isso polemizar algo tão pequeno. Além disso não se mata em nome de um Deus que é a favor da vida
  3. Carlos on Abril 10, 20106:41
    Esta e mais uma prova de humanidade,compaixao e perdao dos seguidores de Cristo na terra.Jesus Cristo veio para mudar as barbaridades que se praticavam no antigo testamento.O Papa como representante da igreja e sucessor de S.Pedro representa Cristo na terra e tem o dever de condenar publicamente as barbaridades e atrocidades cometidas por quem actuamente ainda vive nas trevas e nao quer aceitar o perdao e a compaixao de Jesus Cristo
  4. Maria Olívia Rodrigues= on Maio 1, 201019:28
    Considero importantíssimo o diálogo inter religioso; o combate ao fanatismo religioso em qualquer área; o encontro de todos os integrantes de pensamentos diferentes. É preciso trabalharmos a PAZ ! É preciso que aqueles que se dizem "religiosos" provem sua boa vontade para com todos os seres do mundo !. Penso assim...DEUS ama a todos ! É necessário lutar pela Unidade do Espírito Santo ! Obrigada, M.Olívia OFS
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