Papa: católicos não devem procriar como coelhos

sexta-feira, janeiro 23, 2015

A Igreja Católica é contra o uso de métodos anticoncepcionais artificiais, defendendo sim a abstinência (ausência) de relacionamento íntimo entre marido e mulher nos períodos de fertilidade da mulher. Assim, os filhos podem ser planejados e não haverá surpresas.

Para o Papa Francisco, os bons católicos “não devem procriar como coelhos”. Numa conferência de imprensa a bordo do avião que o transportou de Manila, nas Filipinas, para Roma, o líder da Igreja Católica recusou a ideia de que os casais católicos devem ter o maior número de filhos possível, mas sublinhou que é contra a contracepção artificial.

Estas declarações surgem depois de um jornalista perguntar a Francisco o que diria a uma família católica que tem mais filhos do que economicamente lhe é possível, mas a quem a Igreja proibe de fazer contracepção. Nas Filipinas, o Papa foi confrontado com a realidade de milhares de crianças abandonadas nas ruas por pais que não as conseguem sustentar.

“A abertura à vida é uma condição do sacramento do matrimónio, mas isso não significa que os católicos devam fazer crianças em série. Falei com uma mulher, grávida do seu oitavo filho depois de sete cesarianas, e disse-lhe: ‘Você quer deixar órfãs sete crianças’”, contou o Papa, defendendo que o exemplo desta mãe “é de irresponsabilidade”, embora reconheça que, para os mais pobres, um filho é visto como um tesouro.

Em resposta, a mulher disse ao Papa Francisco que confiava em Deus. Ao que ele lhe respondeu: “Deus deu-te os meios para seres responsável. Alguns crêem, perdoem-me a expressão, que para serem bons católicos devem ser como coelhos”, rematou.

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Esta ideia está patente na Carta dos Direitos da Família, de 1983, onde se diz que o casal “tem o direito inalienável de constituir uma família e de determinar o intervalo entre os nascimentos e o número de filhos que desejam”. Anterior a este documento assinado pelo Papa João Paulo II está a encíclica Humanae Vitae, saída do Concílio Vaticano II, outorgada por Paulo VI, onde se fala da “paternidade responsável” como missão do casal.

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“A ideia-chave que a Igreja defende é a paternidade responsável. Como é que esta se faz? Pelo diálogo. Este existe no seio da Igreja, nos grupos matrimoniais, nos especialistas, nos pastores”, insistiu o Papa.

Maria José Vilaça, presidente da Associação de Psicólogos Católicos, confirma que esse apoio existe em grupos no interior das paróquias mas também é feito por associações e outras organizações. Um apoio que pode começar ainda durante o namoro e que se estende às famílias. Para a psicóloga, o que Francisco diz não é novo mas “é inovadora” a forma como o diz. “O que faz é dizer às pessoas para usarem a razão. É dizer que Deus nos deu a razão não para procriarmos como animais mas para nos reproduzirmos como seres humanos.”

(fonte do texto abaixo do vídeo: publico.pt. O texto está em Português de Portugal)

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