Eu sou o Pão descido do Céu! – Evangelho Comentado

sexta-feira, agosto 7, 2009

 

EVANGELHO COMENTADO

Evangelho de Jo 6,41-51 – 19º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Murmuravam então dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E perguntavam: Porventura não é ele Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu? Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia. Está escrito nos profetas: Todos serão ensinados por Deus {Is 54,13}. Assim, todo aquele que ouviu o Pai e foi por ele instruído vem a mim. Não que alguém tenha visto o Pai, pois só aquele que vem de Deus, esse é que viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.  Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.

OUVIR O PAI E CRER

Os protagonistas são chamados judeus, termo que em João aparece 77 vezes (cinco em Mateus e Lucas e seis em Marcos). Tal uso indiscriminado do termo indica que, quando o evangelista compõe o seu evangelho, já estamos no período em que os hebreus, em diáspora (formação das comunidades judaicas fora da Palestina), estão se reorganizando e buscam recompor a sua identidade intensificando o estudo da Torá ("Bíblia" dos judeus), da qual nascerá o Talmud e a tradição do judaísmo rabínico, que é a veia fundamental do hebraísmo que chega até nós.

O cristianismo está também colocando em prática a sua própria doutrina: afasta-se cada vez mais do judaísmo e afirma a sua identidade frequentemente em polêmica com o judaísmo, que é a sua raiz.

Nos capítulos lidos hoje, judeus, provavelmente galileus de proveniência, são alguns da multidão, que exprimem a perplexidade sobre um discurso verdadeiramente difícil e que se fará de todo paradoxal (contraditório), se tomado ao pé da letra e não em sentido sacramental, quando Jesus diz: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue” (vv. 54.56). Estes não contestam que Deus possa dar um pão da vida, mas ficam surpresos que Jesus possa dizer ser o pão da vida. Na verdade, conhecem bem a sua família, vale dizer que o conhecem como homem normal. De fato, não é um esforço pessoal de interpretação das suas palavras que lhes fará compreender, mas um chamado do Pai: “ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai” (cf. v. 44). Trata-se de uma vocação, dom gratuito de Deus. Em linguagem tradicional, diz-se que é a graça antecipada por Deus que suscita a fé.

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