30c. Santa Clara: corajosa e maternal

sábado, maio 10, 2008

… (Santa Clara) gostava de ouvir os doutos, pois aprendera a tirar o miolo das palavras sagradas, tomando da casca o fruto doce, e penetrando na medula.

(Certo dia) Foi determinado que nenhum frade fosse aos lugares religiosos das senhoras (onde as clarissas moravam), a não ser com licença especial do papa. Quando a virgem (Santa Clara) percebeu que, por causa dessa determinação, teriam mais raramente o alimento da Palavra, sofreu e, despedindo todos os frades que pediam o seu sustento (que pediam esmolas para as clarissas), disse: “De agora em diante não queremos mais ter esmoleres de comida, já que o papa, com sua proibição, tirou-nos os discípulos da Palavra (os frades que faziam pregações do Evangelho para as Irmãs). Quando soube disso, o papa logo retirou a proibição, deixando o assunto ao arbítrio e querer do ministro (dos frades franciscanos).

Mas não cuidava só das almas, pois atendia prestativa a suas filhas (as Irmãs), e quando as encontrava dormindo regeladas, cobria-as no frio da noite. Se alguma não podia obedecer à lei comum, e não pudesse submeter-se ao rigor imposto pela Ordem, agia com ela mais brandamente, com piedade materna.

Compadecia-se das tristes, sofrendo com elas e, chorando, curava as lágrimas das sofredoras. Se, para alguma, a tentação da mente invadisse o claustro, prostrava-se a seus pés, consolava-a com palavras amáveis, e assim erguia as mentes caídas (cfr. Sl 144,14) e amparava as doentes.

Lembrava e punha em prática a palavra do apóstolo, que a piedade vale para tudo (cfr. 1Tm 4,8) quando ajuda os enfermos, quando carrega os pesos e quando tem misericórdia dos pobres, quando levanta os caídos e a todos assiste fazendo-se tudo para todos.

Quando as discípulas lembravam os amáveis serviços da madre (Santa Clara), retomavam para si, nos ânimos devotos e plácidos: para venerarem a doce mãe com a dedicação do amor; na esposa de Cristo, os santos vestígios, os gestos bondosos, atos e sentidos perfeitos.

(LEGENDA VERSIFICADA – Tradução: Frei José Carlos C. Pedroso, ofm cap – www.procasp.org.br – o texto sofreu algumas alterações para uma melhor compreensão do leitor)

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