O fariseu e o cobrador de impostos

domingo, outubro 28, 2007

Jesus contou ainda esta parábola para alguns que, convencidos de serem justos, desprezavam os outros: “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava interiormente deste modo: ‘Ó Deus, eu te dou graças porque não sou como o resto dos homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem como este publicano; jejuo duas vezes por semana, pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no peito dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!’. Eu vos digo que este último desceu para casa justificado, o outro não. Pois todo o que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”.

“Um era fariseu e o outro publicano” (vv. 10-13). Os dois que se põem a rezar são escolhidos intencionalmente, a fim de preparar o efeito da parábola. Eles têm em comum a intenção (rezar) e o espaço (o templo).

A diferença está na atitude e no conteúdo da oração:

a) a atitude de cada um deles expressa o respectivo modo de se colocar diante de Deus presente no templo:

– o fariseu está em pé (como é costume rezar no templo) e começa uma solene ação de graças. Num certo sentido, ele representa o ideal da piedade judaica;

– o cobrador de impostos não se atreve a se aproximar do outro nem levantar os olhos para o céu, pois está consciente da própria miséria e do próprio pecado. Segundo a concepção comum dos judeus, para um cobrador de impostos não havia salvação, seja porque se enriquecia com o dinheiro que cobrava pelos impostos, seja porque era colaborador dos romanos e, portanto, dos pagãos, colocando-se contra o povo. Ao bater no peito, o cobrador de impostos expressa não somente a consciência que tem da sua situação religiosamente desesperadora, mas também, e sobretudo, o desejo de mudar de vida e, portanto, de penitência.

b) O conteúdo da oração de cada um deles corresponde exatamente ao sentido do comportamento externo:

– o fariseu agradece a Deus substancialmente pelo fato de ser um modelo de piedade. Objetivamente, as obras que faz são louváveis e excelentes: ninguém era obrigado a jejuar a não ser no dia da grande expiação, e ele generosamente jejua duas vezes por semana e, é claro, faz isso para expiar não seus pecados, mas os dos outros; além disso, era obrigado a pagar o dízimo somente dos principais frutos da terra (Dt 12,17ss.), mas ele vai além desse limite, pagando o dízimo de toda a sua propriedade. Não se trata de caricatura, como muitas vezes se diz; realmente o fariseu encarna o ideal daquele que cumpre as obras mais belas da piedade judaica. Mas juntamente com essa consciência vem o desprezo pelos outros (v.11) e, portanto, manifesta a sua auto-suficiência diante de Deus e o orgulho diante dos outros homens, particularmente em relação ao cobrador de impostos;

– o publicano não tem nenhum mérito a exibir; a única coisa clara que ele tem é a consciência do seu pecado, e a expressa com as palavras do Sl 51,1: “Meu Deus, tem piedade de mim”. É o contrário da clara consciência que o fariseu tem da sua percepção espiritual.

– “Eu vos digo…” (v. 14). O julgamento de Jesus intervém com forte autoridade “eu digo” para inverter o esquema delineado pelas duas orações. Começando pelo segundo, e não pelo primeiro, Jesus já introduz a reviravolta: aquele volta para casa “justificado”, ou seja, Deus ouviu a oração dele e, em seguida, perdoou o seu pecado; enquanto que o outro (o fariseu), apesar de seus grandes méritos, não é perdoado, isto é, permanece com o peso de seu pecado diante de Deus. Desse modo, Jesus provoca um duro golpe na presunção daquele fariseu e, depois, na concepção “oficial” que os expoentes do judaísmo tinham da religiosidade. A verdadeira religiosidade não está ligada ao peso das obras, não estabelece comparações com os outros, mas se coloca unicamente diante do julgamento de Deus, do qual implora misericórdia. Por outro lado, Jesus deixa claro o porquê da sua atitude benévola e acolhedora para com dois grandes grupos de pecadores públicos: os cobradores de impostos e as prostitutas.

Do livro Homilias (Temas de pregação dos padres dominicanos)
Do livro Celebrando a Palavra (Padre Fernando Armellini)

(http://www.miliciadaimaculada.org.br)

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comentário(s)

  1. Maria Terezinha Gomes disse:

    Eu peço muito a Deus pra que Ele me de um coração do publicano, contrito, sincero, humilde. Sempre quando estou em frente ao crucifixo, sempre digo: Jesus, que eu seja um barro nas suas mãos. Amém. Shalom.

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