Como as plumas das cotovias…

quinta-feira, setembro 27, 2007
A cor da terra como a plumagem da cotovia
(Pasquale Magro, historiador)

Tentar, hoje em dia, falar das cores do hábito usado pelos homens e mulheres que se inspiram no carisma de Francisco de Assis não é, de todo, uma empresa fácil. Ao longo dos séculos, as famílias da primeira Ordem – a dos “frades menores” (ver árvore genealógica) – adotaram as cores cinza e castanho (este último nas suas várias nuances: claro, escuro, marrom, acobreado…) mas também a cor preta.

Existem congregações masculinas e femininas, fundadas recentemente, que até se vestem de azul, porque à inspiração franciscana antiga veio juntar-se e fundir-se a inspiração mariana.

É evidente que a cor tinha sempre uma carga simbólica ligada à memória da identidade espiritual do grupo que a tinha adotado.

Mas, o que pensava o próprio Francisco da cor do hábito? Na Regra ele não prescreve nenhuma cor para o hábito dos seguidores penitentes, convidando-os simplesmente a “usar vestes humildes”, a “vestir-se com hábitos pobres”. Um biógrafo recorda um seu elogio à cotovia: “A sua plumagem é cor de terra.

Ela serve de exemplo para os religiosos, que não devem ter hábitos elegantes e finos, mas de cor ténue, como a terra“. Por volta de 1240, um cronista inglês fala de frades menores vestidos com “túnicas compridas de cor cinzenta”. Nas constituições de Narbona (1260). São Boaventura Ministro Geral recomenda que os frades não vistam nem o preto nem o branco. Os frades menores Conventuais, até às constituições de 1803, são obrigados a usar a cor cinza mas, desde 1823, começa a prevalecer o preto.

Os frades menores Observantes efetuaram a passagem oficial do cinza para o castanho no capítulo de Assis de 1895, quando Leão XIII reuniu nos “Frades Menores” as várias famílias da Observância (Reformados, alcantarinos, Recoletos, etc..) Os Frades Menores Capuchinhos, em 1912, escolheram a atual cor castanha. A cor do hábito das famílias franciscanas da primeira Ordem acompanha o nascimento e o desenvolvimento de correntes dentro da própria Ordem. Até 1517, a família Franciscana, nascida em 1209, era juridicamente uma só, conduzida por um único Ministro Geral, considerado por todos o sucessor de São Francisco.

Nesse ano, Leão X concedeu independência jurídica ao movimento dos Observantes, iniciado pelo frade Paulúcio Trinci em Foligno em 1368, obrigando o Ministro Geral da família primitiva a entregar o selo oficial da Ordem ao ministro dos Observantes, decretando assim a derivação da nova família da antiga para a original.

O direito nunca alterou a história! Dos Observantes, contestados em várias frentes, deriva também a família dos Capuchinhos (1525) que, sob a tutela jurídica dos Menores Conventuais, ganha independência jurídica em 1619.

(http://www.vocacoes.com.br)

Share Button

 

comentário(s)

  1. Ligia Maria Baku disse:

    Irmãs clarissas, obrigada pela orações. Deus conceda a todas a mais infinitas graças.

  2. Gercina Aparecida Marques Xavier disse:

    Essa história eu não conhecia , mais achei muito interessante , visto que a cor da plumagem da cotovia é muito bonita e o hábito dos Franciscanos é bonito, eu acho.

  3. Estou fascinada com esse site, muito interessante, ficou muito poético a cor do háito dos Franciscanos “a cor da plumagem da cotovia”.

  4. Quem quer seguir Jesus na vida religiosa ou sacerdotal,tem que deixar o mundo,por isso não pode ter luxo,vamos ser como o Seu Nascimento,pura!Pobreza.Amém.Shalom.

Deixe uma resposta