A paz interior como fundamento da paz exterior

sábado, agosto 4, 2007

Francisco faz na cidade de Poggio Bustone uma profunda experiência de reconciliação.

Tomás de Celano (seu biógrafo) conta que permaneceu algum tempo aí e refletia com amargura sobre os anos mal vividos, repetindo frequentemente: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (1Cel 26). Teve a experiência de uma indizível alegria e imensa doçura, juntamente com a certeza do perdão de todos os pecados, e sentiu a confiança de que estava em graça. Percebeu-se todo absorto em luz e finalmente todo transformado. Fez a experiência da paz interior que ele recebeu gratuitamente como dom de Deus. “É a experiência do Deus da misericórdia como pura gratuidade que possibilita a paz interior, a alegria e a iluminação em Francisco, e que constitui o fundamento de sua atitude de paz”.

Na 15ª Admoestação, Francisco faz referência à bem-aventurança relativa aos pacíficos, que serão chamados filhos de Deus (cf. Mt 5,9), acrescentando: “São verdadeiramente pacíficos os que, no meio de tudo quanto padecem neste mundo, se conservam em paz, interior e exteriormente, por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Certamente São Francisco fala a partir de sua própria experiência, de alguém profundamente reconciliado e em íntima comunhão de amor com o Senhor da Paz, o Filho de Deus, que padeceu muito no caminho da cruz, sendo vítima de extrema violência. No entanto, manteve-se em paz interior e exteriormente, fazendo da sua entrega de amor a fonte de reconciliação e pacificação, pedindo ao Pai perdão pelos que o estavam agredindo e matando e demonstrando solidariedade com todas as vítimas da violência e da injustiça. Rompeu a força da violência, da injustiça e da maldade com a força do amor, do perdão, da misericórdia.

No Cântico do Irmão sol, Francisco louva ao Senhor pelos que perdoam por amor a Ele e proclama bem-aventurados os que sustentam enfermidades e tribulações em paz, pois serão coroados pelo Altíssimo.

De maneira que o teste mais exigente de uma pessoa pacífica se dá em meio a adversidades, a ofensas, a conflitos, a sofrimentos de todo tipo. É ali que se prova a capacidade de amor, de perdão, de não-violência ativa, de paciência, de misericórdia, a força da justiça e da bondade.

(Frei Nestor Inácio Schwerz, Ofm – www.franciscanos.org.br – com pequenas modificações para uma melhor compreensão do leitor leigo)

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comentário(s)

  1. Custódia Santos disse:

    Diz no texto, algo que me tocou: a paz interior, que só se explica, como S. Francisco a explica, a partir da sua experiência. Compreendo e aceito plenamente, pois a paz é um dom de Deus, mas também uma conquista do homem, como foi para S. Francisco, que chegou a ela através de muito sofrimento, aceite por amor do «Amor» que nos conduz á paz, se nos abandonarmos a ELE; e só a tranmitimos se ela for vivida por nós.

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